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Convite à Reflexão: atitudes e saberes do professor

23.10.2017 | Capelania e Identidade Cristã

Apresentação

O transcurso do dia do professor, 15 de outubro, nos oferece uma oportunidade para refletir sobre o exercício da profissão do magistério e, mais amplamente, sobre a educação enquanto  processo de construção de saberes e atitudes se vida. 

Os textos que oferecemos falam dessas duas dimensões do magistério: atitudes e saberes.

Atitudes de vida se aprendem sobretudo com o exemplo de mestres que educam não só pelo que sabem, mas por aquilo que são e por aquilo em que acreditam.  A vida da professora Heley Batista, que sacrificou a própria vida ao tentar salvar o maior número de alunos do incêndio de sua creche, em Janauba, MG, nos propõe algumas reflexões sobre o professor enquanto mestre de atitudes de vida. Heley, sem buscá-lo, virou heroína. Numa situação extrema, nada mais fez que viver a fidelidade a si mesma e a lealdade para com seus alunos, aos quais ensinou e dos quais aprendeu. 

Sobre os saberes da educação nos fala o filósofo e educador Edgar Morin, num breve texto sobre “Os sete saberes, indispensáveis na edificação do futuro da educação”, da autoria de Ana Lúcia Santana. Num mundo marcado pela fragmentação do saber, Morin nos propõe o pensamentro integral e a inter- e transdisciplinariedade. Suas propostas “estão inseridas na teoria da complexidade deste educador, a qual preconiza que o pensamento complexo permite abarcar a uniformidade e a variedade contidas na totalidade, ao contrário da tendência do ser humano a simplificar tudo”. Morin propõe a teoria da complexidade e apresenta os sete saberes que ele julga indispensáveis na edificação do futuro da educação.

Para saber quais são esses sete saberes indispensáveis de que fala Morin e  conhecer algo mais sobre a vida e as motivação que levaram a professora a Heley a seu gesto heroico, veja os textos a seguir.

Boa leitura!

Heley Abreu Batista: exemplo de heroísmo e lealdade

A professora Heley Abreu Batista (1974-2017) deu sua vida para salvar vidas de crianças, seus alunos, do incêndio criminoso na creche onde trabalhava. O fogo foi provocado por um vigia mentalmente perturbado da escola. A tragédia ocorreu no dia 05 de outubro passado, na creche municipal Gente Inocente, de Janauba, cidade de 71.000 habitantes, no norte de MG. Ela chegou a lutar com o vigia incendiário, quando teve 90% de seu corpo queimado, o que ocasionou sua morte.  Mais de 600 pessoas acompanharam o cortejo, quando o caixão era levado ao cemitério S. 

Lucas, em um carro aberto do corpo de Bombeiros, aos acordes do canto “Segura na mão de Deus e vá”. No momento da sepultura, um demorado aplauso. Pelo ato de bravura por ela praticado, considerado um "gesto de coragem e de heroísmo para salvar a vida de seus alunos", ela  recebeu, post mortem, a Ordem Nacional do Mérito.  A creche municipal, quando reconstruída, levará seu nome. 

Heley estava na primeira sala atacada pelo incendiário. Quando começou o incêndio, ela começou a retirar criança por criança através de uma janela que dava para o corredor da creche. Heley lutou até ficar inconsciente e não ter mais condições de salvar os remanescentes da turma. Por sua coragem, salvou a vida de pelo menos 25 crianças, antes de perder a própria. Conforme testemunho do delegado Bruno Barbosa, “o que essa professora fez foi um ato de heroísmo e lealdade pelos seus alunos. Ela não os abandonou”.  Mãe de 3 filhos, Heley (43) cuidava dos alunos como se fossem seus próprios filhos. “Ela não sossegaria enquanto não salvasse todos eles”, declarou a colega de trabalho Ivani Cunha. Heley amava sua profissão. “Não perdia oportunidade de incentivar os alunos no estudo e nas provas. “Mesmo tendo problemas com as cordas vocais, ela não perdia uma gincana”,  disse ainda Ivani. 

Pedagoga, uma das principais bandeiras de Heley era a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência, área em que se especializou em 2016. Ela ensinava e aprendia no exercício do magistério. Os alunos a ajudaram a dar a volta por cima depois da morte do filho. Ela perdeu seu filho de 4 anos, que morreu afogado na piscina do clube da cidade, quando estava grávida do segundo filho. Ela encontrou forças no convívio diário com as crianças da creche. A sala de aula lhe ensinou que era possível reencontrar a esperança e tocar em frente. 

Para ser herói ou heroína não é preciso ser famoso. Heróis e heroínas são hoje, de modo geral, os professores e as professoras que dão o melhor de si, trabalhando em condições muitas vezes altamente adversas. Heley mostra que podemos ser heróis na vida quotidiana, quando somos guiados por consciência profissional e movidos pela força do amor, que impele ao serviço desprendido, até ao sacrifício de si mesmo. Heley era gente comum, professora, esposa, mãe, vizinha.  Era amiga das pessoas do bairro onde morava. Desdobrava-se entre o expediente da creche, as obrigações com os filhos e as tarefas domésticas, para que o marido pudesse concluir a faculdade de odontologia.  O maior elogio saiu da boca de uma colega: “Ela jamais deixaria um aluno para trás”. Acabou dando a vida por eles, num gesto de grandeza e coerência com uma vida doada aos demais.  

Por ocasião do dia do professor, 15 de outubro, prestamos nossa homenagem a Heley Abreu Batista, e, na pessoa dela, a tantos professores, verdadeiros heróis anônimos, gente que, na luta de todos os dias, consome sua vida na missão de educar as novas gerações, por sua competência profissional e pelo seu exemplo de vida.  (Martinho Lenz, SJ, capelão).

A educação, segundo Edgar Morin: os sete saberes, indispensáveis na edificação do futuro da educação       

Por Ana Lucia Santana

O pensador e sociólogo francês Edgar Morin elaborou, em sua obra, profundas reflexões sobre a educação. O Homo Sapiens, como ele gosta de se referir ao ser humano, é um fruto da vida natural e da cultura; seguindo esta linha de raciocínio, ele encontra uma forma de construir a Educação dos tempos futuros, embora ela pareça ainda estar tão vinculada ao passado, principalmente ao fragmentar o conhecimento.

Morin defende o pensamento integral, pois ele permite ao homem concretizar uma meditação mais pontual; a pedagogia atua, porém, com seu radical fracionamento do saber, e leva o indivíduo a entender o universo em que vive de forma facciosa, sem conexão com o universal. Assim, rompe-se qualquer interação entre local e global, o que proporciona uma resolução das questões existenciais completamente desvinculada da contextura em que elas estão situadas.

Estes debates estão inseridos na teoria da complexidade deste educador, a qual preconiza que o pensamento complexo permite abarcar a uniformidade e a variedade contidas na totalidade, ao contrário da tendência do ser humano a simplificar tudo. Ele afirma a importância do ponto de vista integral, embora não descarte o valor das especialidades.

Edgar Morin percebe a classe escolar como uma entidade complexa, que engloba uma variedade de disposições, estratos sócio-econômicos, emoções e culturas, portanto, ele a vê como um local impregnado de heterogeneidade. Assim, ele considera ser este o espaço perfeito para se dar início a uma transformação dos paradigmas, da maneira convencional de se pensar o ambiente escolar. É preciso que este contexto tenha um profundo significado para os alunos.  O caminho indicado por Morin é o da visão que se retira do âmbito estreito da disciplina, compreende o contexto e adquire o poder de encontrar a conexão com a existência. 

É preciso romper com a fragmentação do conhecimento em campos restritos, no interior dos quais se privilegiam determinados teores, e também eliminar a estrutura hierárquica vigente entre as disciplinas. Reformar esta tradição requer um esforço complexo, uma vez que esta mentalidade foi desenvolvida ao longo de inúmeras décadas.

Neste empenho para mudar a tradição educacional, Edgar Morin estabelece igualmente os sete saberes, indispensáveis na edificação do futuro da educação. 

O primeiro saber é sobre as cegueiras do conhecimento – o erro e a ilusão: deve-se valorizar o erro enquanto instrumento de aprendizagem, pois não se conhece algo sem primeiro cair nos equívocos ou nas ilusões.

O segundo saber se relaciona ao conhecimento próprio, a unir os mais diversos campos do conhecimento para combater a fragmentação; assim, a educação deve deixar a contextura, o universal, as diversas dimensões do ser humano e da sociedade, e a estrutura complexa bem claras.

O terceiro saber é ensinar a condição humana, transmitir ao aluno que o Homem é um ser multidimensional. Assim, a pedagogia do amanhã necessita, antes de tudo, privilegiar a compreensão da natureza do ser humano, ele também um indivíduo fragmentado.

A identidade terrena também deve ser prioridade, preconiza o quarto saber, pois é fundamental conhecer o lugar no qual se habita, suas necessidades de sustentabilidade, a variedade inventiva, os novos implementos tecnológicos, os problemas sociais e econômicos que ela abriga.

O quinto saber indica a urgência de enfrentar as incertezas, que parte da certeza da existência de dúvidas na trajetória humana, pois, apesar de todo o progresso da Humanidade, não é possível, ainda, predizer o futuro, uma região nada previsível, a qual desafia constantemente o Homem.

O sexto saber defende que se deve ensinar a compreensão, fator indispensável na interação humana; ela deve ser instaurada em todos os campos de ação do cotidiano escolar. 

O sétimo saber é a ética do gênero humano, correspondente à antropo-ética, a qual defende que não devemos querer para outrem aquilo que não desejamos para nós mesmos, como já pregava Jesus Cristo.

Fontes:
http://universia.com.br/docente/materia.jsp/materia=9756
http://www.conteudoescola.com.br/site/content/view/89/27/
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/materias_296365.shtml/page=page2
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Morin

Artigo publicado em InfoEscola (outubro, 2017) 

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